terça-feira, 1 de novembro de 2011

Anseio


Perdida nas risadas falsas e alteradas que atingem cada canto dali,
Me encontro nas gotinhas que caem pelo meu copo.
Olho pros lados, sem ter a ousadia de olhar pra frente.
Desejo imensurável e doentio.
Mais um gole e fico sob domínio da minha loucura.
Sem sim e sem não, sem por quê,
Olho pra frente sem querer, só pra ver você.
Sentimento puro e ácido.
Desejo imensurável e doentio, maldito seja.

Assim e Só



Entre o caminho certo
e o errado
Desde o mais fácil
Até o complicado
Dos tortos e distantes
aos os retos, perto
Ou ainda os estranhos, raros
Os escuros e os claros
Escolho aquele
que me leva até
você.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O Inexistente


Aqui onde o vento sopra com grandeza,
E tudo que se vê é pouco.
Onde o sol brilha e transmite seu calor como nunca,
Onde não há direção, e o caminho quem faz sou eu.
Sem nem mesmo o chão, e o limite é o infinito.
Só existe quem eu quero que exista.
Ninguém pode me apontar,
Posso ser a bruxa; posso ser a princesa perdida do conto de fadas não lido.
Posso ser a origem, a dona de tudo,
E ver tudo em várias pequenas formas.
Meus amigos são os pássaros e meu inimigos as borboletas.
Perfeita harmonia, sem amores, sem dores.
Perfeita harmonia sem qualidades e sem defeitos.
Perfeita harmonia na estranheza do meu eu sem você.
Afinal, onde está você?

sábado, 22 de outubro de 2011

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Meu Docinho de Banana
Do que se compõem:


















- 30 xícaras de energia
- 1 colher de sopa de chatice
- 3 colheres de sopa de arrogância
- 20 xícaras da mais pura sensibilidade
- 15 xícaras de uma beleza indescritível
- 35 xícaras de companheirismo
- 12 xícaras de gentileza
- Algumas muitas xícaras de sorrisos, abraços e tudo mais
- Simpatia a gosto.

Esses são alguns dos ingredientes
Que fazem com que você seja o prato principal
De todo o meu cardápio.

Eu te amo.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Treasure Chest


Entre os tesouros, excessos, restos e infinitas águas
Que compõem o perfeito cenário do meu secreto e próprio oceano...
Cujos segredos se escondem entre as pedras e os corais mais profundos,
Cujos peixes, raias e polvos das espécies mais esquisitas não precisam se camuflar
E cujo oxigênio não é necessário.
Ao nadar e mergulhar através da imensidão azul
É possível avistar uma variação múltipla de baús com as jóias mais preciosas para mim.
É possível avistar várias imagens congeladas,
E algumas delas estiveram se afundando ali por tanto tempo
Que através dos anos foram ficando cada vez mais apagadas
E quase impossíveis de se entender.
Outras imagens eram nítidas demais,
Provas de afeto compunham a beleza de cada uma delas.
Mas as vezes as tempestades vinham, com naufrágios e lágrimas
Transbordando então o meu oceano, arrastando toda aquela maravilha
E só deixando os estilhaços de beleza.
Me afogava, sem poder ir do norte ao leste,
Estava perdida.
Mas juro que em meio a tantas coisas
Era possível ter o meu porto seguro,
No baú mais cintilante, bem pertinho da superfície,
Eu guardava você.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Não Te Contenta e Se Contenta


Eu só quero nadar nas margens dos sorrisos daqueles que me vêem,
Eu só quero voar no céu dos olhares límpidos daqueles que me vêem,
Eu só quero mostrar meus malabares, minhas mímicas e minhas cambalhotas
Mostrar a diversidade de cores que guardo nas mangas
Eu vivo assim com os risos sobre mim.
Mas o que um apanhador de alegria como eu há de fazer
Com aqueles que não se dão o direito de achar graça no banal?
Continuo meu show apesar de tudo
Continuo meu show com rostos vazios e sem emoção.
De repente então tudo se radicaliza,
Passo a conviver e sobreviver na decepção.
Mas no dia seguinte estou apto a continuar...
Um dia de olhares inertes,
Outro dia de olhares calorosos.
Vivo, convivo, nado, mergulho...
E que se inaugure a chuva de gargalhadas então!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Efeito mormaço



Neste verão, deixe que as coisas mudem.
Deixe o sol do seu sorriso raiar,
deixe os agasalhos embaixo da cama
e deixe que a terra invada os vãos de seus dedos.
Abra as janelas
E deixe que a manhã chegue mais límpida.
Mais límpida que o olhar trocado de um par apaixonado.
Deixe que o vento cante, desde que não se encante...
É só de passagem.
Tranque a tristeza no pico do inverno
E deixe que se perca no pretérito perfeito.
Hoje sou feita de risos, pés descalços e do simples.
Deixe que o pássaro cante, desde que não se encante...
É só de passagem.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Casamento de Viúva


Não sei se é culpa do sol
Ou se é culpa da chuva
Estou doente.
Minha alma transborda e escorre
Retardando meu equilíbrio
Já não sei mais discernir
Loucura e razão.
Estou doente.
O sol vivencia
Cegando-me com o peso da luz
E a chuva falece
Cegando-me com a vista inactiva.
Estou doente.
Paro, olho e esqueço de respirar
Talvez a razão dessa minha loucura
Seja a falta de equilíbrio
E assim então retorno, ao início
Estou realmente doente.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Não se vá




Espero que você não se vá
Se eu não tiver nada mais para te contar.
Não sei dizer, quem dirá?
Talvez numa segunda fria,
Ou num domingo de sol pela manhã.
É triste sim, eu sei
Duas pessoas em silêncio
Sempre dão tanto o que falar.
Então me espere na terça,
Ou depois de amanhã.
Quem sabe?
Na quinta ou sexta, no mais tardar
Eu direi:
Não se vá.



-Thiago Pethit

A Conjuntura




E se esvai, atravessando entre os vãos da minha alegria
No ritmo de um coração que acaba de se recuperar
Na expectativa de viver novamente.
Na infelicidade de uma dor sentida
Se ao menos eu pudesse agarrá-lo contra mim
Com a mesma ternura de tantos abraços
E me abrigar nas brechas do teu amor
Comprometendo-me a nunca deixá-lo
Navegar nas tuas palavras, e me desligar de tudo
Apenas tudo.
Saltou, alterou e se destacou no deserto da minha consciência
Fazendo minha razão se dissipar
Adormeceu minha sagacidade,
E derreteu os meus sentidos,
Aqueles que pelo menos eu ainda conseguia enxergar.
Esse sentimento único, que pra alguns é considerado benção
E pra outros maldição.
Sentimento que eu nunca hei de deixar ir embora.